Mito: Usamos apenas 10% de nossa capacidade cerebral?


Não sei bem a quanto tempo escuto este mito de que usamos apenas 10% de nossa capacidade cerebral. E este mito não se propaga apenas na imprensa ou nas redes sociais, ele é compartilhado em ambientes educacionais, inclusive em universidades. Esta perspectiva tem suas raízes entranhadas nos anos 1800, quando William James, psicólogo de Harvard sugeriu que os humanos usavam apenas uma parte de seu potencial cerebral. Para dar maior credibilidade ao fato, nos anos 1900, quando as tecnologias de neuroimagem começaram a despontar, disseminou-se ensaios sobre como apenas pequenas partes do cérebro “acendiam” durante os experimentos. Logo, alguns acreditavam que apenas aquelas partes eram utilizadas pelo cerébro nas atividades realizadas.
O que os estudos contemporâneos de neurociência apontam é que utilizamos uma intrincada rede neuronal que perpassa todo o cérebro durante a maioria das atividades que realizamos. Alguns pesquisadores elucidam, visando desmistificar a questão, que caso utilizássemos apenas 10% do nosso cérebro sofreríamos lesão cerebral apenas quando estas áreas específicas fossem afetadas, o que sabemos que não ocorre. Para além disto, exames revelam que nosso cérebro está em constante atividade, realizando alterações químicas, elétricas e sanguíneas em todas as áreas de seu estrutura. Não por acaso, consome cerca de 20% da energia corporal, mesmo pesando apenas 2% do peso corporal total.

Ou seja, a parte “mecânica” biológica do cérebro parece ser ativada em praticamente toda sua totalidade, inclusive durante o sono. O debate pode transcender da questão biológica para a utilização deste mecanismo em determinadas atividades. Dito de outra forma, utilizo 100% de minha capacidade cerebral, mas a emprego para qual sentido. Este assunto ficará para outro momento.
Um grande abraço.
Autor: Alan é Psicólogo (CRP-12/15759), atuando com psicologia clínica na cidade de Brusque - SC; Além disto é Escritor, Mestrando em Psicologia Clínica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), graduado em Psicologia pela UNIFEBE, com ênfase em Prevenção e Promoção de Saúde, e graduado em História pela Universidade Paulista. Membro ativo do Laboratório de Fenomenologia e Subjetividade (LabFeno) da UFPR.




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